Encontros

Já a conhecia de vista. Era difícil esquecer uma cara como a dela: olhos castanhos, pestanas fartas, lábios finos e um sorriso capaz de levar um homem à loucura.

Já tinha ouvido falar sobre ela: pessoa desagradável, mesquinha e pouco inteligente.

Tendo amigos em comum, não foi difícil nem tão pouco obra do destino terem-se cruzado num bar. Sentados na mesma mesa, lado a lado, ia ouvindo a conversa que decorria entre os convivas, na qual ela participava activamente. Ela ria descontraidamente, e o seu riso não parecia o riso de uma pessoa desagradável. No final da noite ficou confuso pois a descrição que tinha ouvido dela não correspondia ao que tinha observado.

Desde então pensava nela com alguma regularidade.

Finalmente decidiu-se e convidou-a para um café. Ela não aceitou facilmente o pedido, mais uma vez deixando-o surpreendido, mas acedeu.

Nessa noite, quando a viu dirigir-se à mesa onde se encontrava sentado, teve dificuldades em concentrar-se: estava magnífica. Todas as cabeças se viravam à sua passagem, os homens a admirá-la e as mulheres a invejá-la. E o mais impressionante é que ela nem se apercebia do efeito que surtia nas pessoas que a rodeavam.

A conversa fluiu facilmente e as horas passaram sem que ele se apercebesse. Ela não correspondia em nada à descrição que dela tinha ouvido. Era inteligente, simpática. Durante as horas que passou com ela teve vontade de se abrir com ela, de lhe falar das boas e más experiências de vida que tinha tido, das alegrias e tristezas que tinha sofrido. Porque ela era assim, ouvia-o com tanta naturalidade que o deixava totalmente à vontade.

No final da noite, quando a deixou em casa, apenas sonhava em perder-se naqueles lábios, naquela boca, naquele sorriso…

Beijou-a.

Inicialmente a medo, meio envergonhado. Mas no momento em que percebeu que ela o beijava de volta, ficou tranquilo, e nada mais pensou, nada mais fez a não ser beijá-la. Finalmente largaram-se com promessas de um breve reencontro.

Enquanto caminhava pelas ruas em direcção a casa, sentia-se tranquilo. Sentia-se satisfeito  por ter decidido conhecê-la e tirar as suas próprias conclusões acerca da sua personalidade. Sentia-se particularmente feliz por perceber que se estava a apaixonar por ela.